Vale fecha contratos para iniciar obras em Moatize

2009-03-26 - Fonte: Gazeta Mercantil

São Paulo, 26 de Março de 2009 - A Companhia Vale do Rio Doce e a ABB acertaram um contrato para a o fornecimento de uma solução elétrica e de automação para a mina de carvão que a mineradora vai construir em Moatize, na província de Tete em Moçambique. O valor da encomenda é de US$ 32 milhões. A Vale lança no final desta semana a pedra fundamental do projeto, cujo custo era estimado, em outubro de 2008, em US$ 1,4 bilhão, dos quais US$ 444 milhões eram previstos para serem aplicados 2009. Contratos com outros fornecedores, entre os quais 20 empresas brasileiras, como a Odebrecht e a Camargo Corrêa

O projeto acertado com o governo de Moçambique em meados de 2007 terá capacidade nominal de produção de 11 milhões de toneladas por ano, sendo 8,5 milhões de toneladas de carvão metalúrgico e 2,5 milhões de toneladas de carvão térmico. A estimativa é que as obras levem 36 meses. Desde meados do ano passado, a mineradora já detinha todas as licenças do governo de Moçambique para a construção da mina de Moatize, no entanto, o início do desenvolvimento do projeto dependia do término de negociações relativas ao transporte ferroviário dos produtos e ao porto de embarque.

Segundo a ABB, os equipamentos a serem fornecidos irão maximizar a eficiência do processo de produção de carvão e a eficiência energética. A empresa já forneceu soluções para diversas outras minas de carvão, em campo a céu aberto, na Alemanha, Leste Europeu, América do Sul, e também em minas subterrâneas, especialmente na China.

A mineradora brasileira é um cliente da ABB com conta corporativa global. Entre os destaques, o que significa que a empresa possui uma equipe dedicada para desenvolver projetos para a mineradora. "um cliente do tamanho da Vale, que demanda um escopo de atuação amplo, requer um atendimento, planejamento e controle mais efetivo. E é esse o ponto que diferencia a ABB: temos larga experiência nos processos de mineração e desenvolvemos nossos projetos como um parceiro que proporcionará melhoria de produtividade para os negócios da Vale", afirmou o gerente da conta, José Maria Moreira.

Investimento crescente
A mineradora quer se tornar um grande produtor mundial de carvão. O processo é complementar ao de minério de ferro, já que são as duas principais matérias-primas para a produção de aço. Além disso, do ponto de vista logístico, os navios que levam o minério brasileiro da Vale, para Europa ou Ásia poderiam voltar com carvão, insumo que as siderúrgicas brasileiras precisam importar.

Somente neste ano, a Vale planeja investir US$ 808 milhões no mineral, ou 5,7% dos US$ 14,2 bilhões orçado para 2009. Além do projeto de Moatize, a mineradora também está desenvolvendo projetos na Austrália, adquiridos no primeiro semestre de 2007. Entre os investimentos estão a de expansão da capacidade da mina subterrânea de Carborough Downs, no Central Queensland, na Austrália. Esse projeto elevará a capacidade nominal da mina para 4,8 milhões de toneladas por ano em 2011, ante os atuais 1 milhão de toneladas e possui investimento estimado de US$ 330 milhões, dos quais US$ 138 milhões serão gastos em 2009, informou a mineradora em outubro do ano passado.

US$ 577 milhões

Em 2008, a Vale faturou US$ 577 milhões com a venda de carvão. O ano passado foi o primeiro em que as operações de carvão foram consolidadas integralmente no balanço da com-panhia. A receita bruta com o mineral totalizou US$ 577 milhões, dos quais US$ 457 milhões provenientes de vendas de carvão metalúrgico e US$ 120 milhões de carvão térmico.

Os embarques de carvão foram de 4,08 milhões de toneladas métricas, compostos de 2,68 milhões de toneladas métricas de carvão metalúrgico e 1,4 milhão de toneladas métricas de carvão térmico.

O preço médio realizado com a venda de carvão metalúrgico no ano passado foi de US$ 170,55 por tonelada métrica, o que representa crescimento de 153,2% na comparação com o exercício anterior. O preço médio do carvão térmico foi de US$ 85,38 por tonelada métrica em 2008, o que significa um aumento de 58,9% sobre a média registrada em 2007.

Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 3)(Luciana Collet)

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